
Deputado Federal Coronel Meira (PL-PE) -Foto: divulgação/Agência Câmara de Notícias
06/05/2026
Brasília – Advogados e familiares dos presos políticos convidados pela subcomissão especial dos Direitos dos presos do 8 de janeiro narraram episódios marcantes aos presentes na audiência pública realizada na última terça-feira, 05. O evento, presidido pelo deputado Coronel Meira (PL-PE), tem o objetivo de colher depoimentos e juntar provas que comprovem violações de direitos humanos.
“É importantíssima essa subcomissão . Fiz questão de continuar o trabalho e temos um compromisso de fazer entregas. Precisamos registrar, para as futuras gerações, que no Brasil, houve uma prisão arbitrária de mais de 1500 pessoas, idosas, senhoras, crianças, pessoas do bem e que estavam, pacificamente, fazendo um protesto. Então essa data, de 8 de janeiro, não pode ser esquecida e quero aprovar um PL, de minha autoria, que institui o dia 9 de janeiro como o dia do preso político para ficar registrado no Brasil que um dia tivemos presos políticos”, salientou o parlamentar.
Evandro Brasileiro, pai do advogado Lucas Brasileiro, de 31 anos. Ele disse que o filho havia feito prova para concurso no dia 8 de janeiro. “Hoje eu sou a voz do meu filho. Estou há quatro anos e três meses visitando-o e é muito sofrimento. Meu filho foi agredido fisicamente porque tirou a foto sorrindo na Papuda, mas meu filho está pagando por qual crime?”, perguntou. Ele ainda relatou o excesso de documentação exigida para as netas, menores de idade, visitarem seu filho. “O Lucas tem duas filhinhas e, para poder fazer uma visita ao pai tivemos que tirar certidão criminal de um bebê de dois meses e de uma criança de dois anos e meio. Qual o crime que um bebê cometeu?”.
Luiza Cunha, filha de Clezão, que morreu nas dependências do presídio da Papuda. A defesa de Clezão já havia alertado sobre a saúde frágil dele com hipertensão e diabetes e enviado laudos médicos, mas os pedidos de liberdade provisória não foram analisados por Moraes apesar de a Procuradoria-Geral da República (PGR) ter emitido parecer favorável à soltura de Clezão, em setembro de 2023, dois meses antes de sua morte, mas o pedido não foi despachado pelo ministro.
Mariane Naime contou os abusos que o esposo Jorge Naime, coronel da reserva da Polícia Militar do Distrito Federal, vem sofrendo. “Meu marido estava em férias e foi preso. O que vemos hoje é uma tentativa perigosa de desmoralizar as forças de segurança no Brasil. O que está em jogo é a segurança jurídica. A minha luta nunca será pelo meu marido, mas para todos os presos políticos. A minha dor se transformou em voz e não vai se calar. Pensamos que existia democracia no Brasil, mas vivemos em uma constante exceção”, declarou. Os relatos foram documentados e o presidente da subcomissão destacou que deve elaborar documentos em breve.