
Senador Carlos Portinho (PL-RJ) apresentou um voto de repúdio à Conmebol e a seu presidente, Alejandro Domínguez – Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
19/03/2025
Brasília – O senador Carlos Portinho (PL-RJ) apresentou, na última terça-feira, 18, um voto de repúdio à Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) e ao seu presidente, Alejandro Domínguez, devido a uma declaração considerada racista. Durante entrevista concedida na última segunda-feira, 17, Domínguez afirmou que uma Copa Libertadores sem clubes brasileiros seria “como Tarzan sem a Chita”, analogia que gerou forte reação negativa no Congresso Nacional.
O voto de repúdio será encaminhado à Conmebol e à Federação Internacional de Futebol (Fifa). Para Portinho (PL-RJ), a fala do dirigente reforça estereótipos raciais e reflete a complacência da Conmebol com o racismo no futebol sul-americano, que frequentemente atinge jogadores brasileiros.
O senador criticou a falta de punições severas por parte da Conmebol , citando como exemplo a multa irrisória de US$ 50 mil aplicada ao Cerro Porteño, do Paraguai, após torcedores imitarem macacos e cuspirem no jogador Luighi, do Palmeiras, durante a Copa Libertadores Sub-20.
“A luta contra o racismo exige reações firmes e exemplares de homens corajosos”, afirmou Portinho, defendendo o afastamento de Domínguez da presidência da Conmebol .
A iniciativa de Portinho (PL-RJ) recebeu apoio de diversos senadores, incluindo Randolfe Rodrigues (PT-AP), Flávio Arns (PSB-PR), Eduardo Girão (Novo-CE) e Romário (PL-RJ). O senador Omar Aziz (PSD-AM) sugeriu que Domínguez seja declarado “persona non grata” no Brasil, com proibição de sua entrada no país.
Já Flávio Arns defendeu que a Advocacia-Geral da União (AGU) abra um processo contra o presidente da Conmebol por sua declaração, enquanto Randolfe Rodrigues cobrou um posicionamento firme da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e dos clubes brasileiros.
Além do voto de repúdio de Portinho (PL-RJ), a senadora Eliziane Gama (PSD-MA) protocolou um requerimento com voto de censura contra Alejandro Domínguez. Para Eliziane, a fala do dirigente é um retrocesso na luta contra a discriminação racial.
“Nosso país e nossas entidades constituídas, como o Senado Federal, não toleram qualquer tipo de discriminação”, destacou a senadora, reforçando que os jogadores brasileiros precisam sentir que não estão sozinhos nessa luta.
O episódio reacendeu o debate sobre o racismo no futebol sul-americano e a necessidade de punições mais severas para clubes e dirigentes coniventes com esse tipo de conduta.
O voto de repúdio do senador Carlos Portinho (PL-RJ) será formalmente encaminhado à Conmebol e à Fifa, enquanto o Senado Federal segue pressionando por medidas concretas contra a discriminação no futebol.
Fonte: Agência Senado