
Infraestrutura logística e saúde concentram principais demandas das Missões e do Noroeste ao plano de governo de Zucco (PL-RS) - Foto: divulgação/Agência Câmara de Notícias
14/05/2026
Rio Grande do Sul – A melhoria da infraestrutura logística, com destaque para a duplicação da BR-285 e terceiras faixas na ERS-344, concentrou as principais demandas apresentadas por lideranças empresariais, prefeitos, representantes da saúde, da educação e da segurança pública durante a terceira edição do Força Gaúcha no interior do Estado, realizada nesta quinta-feira (14/5), em Santo Ângelo, no Sindilojas Missões. O encontro reuniu representantes de diferentes setores das regiões das Missões, Noroeste e Fronteira Noroeste para contribuir com a construção do plano de governo do pré-candidato ao Piratini, deputado federal Luciano Zucco (PL-RS).
Na abertura, o coordenador do plano de governo, Leonardo Pascoal afirmou que os encontros regionais têm como foco ouvir as demandas locais para construir propostas conectadas à realidade das regiões.
“A sistemática aqui é de reunião de trabalho, muito mais para escutar do que falar. Ouvir as entidades dos mais variados setores para construção de um plano de governo realista e que esteja conectado às necessidades das pessoas e da retomada do crescimento do RS”, destacou.
Na área da infraestrutura, o prefeito de Santo Ângelo e representante da Associação dos Municípios das Missões (AMM), Nívio Braz, defendeu a duplicação da BR-285, entre Panambi e São Luiz Gonzaga, e apontou uma série de gargalos rodoviários na região, como a ERS-176, a ERS-165, onde há a necessidade de uma ponte definitiva sobre o Arroio Piraju, e melhorias na ligação entre Entre-Ijuís e Santo Ângelo. Também cobrou o avanço do projeto de terceiras pistas na ERS-344, entre Santo Ângelo e Santa Rosa.
“É uma reivindicação de todas as lideranças da região. O projeto, que já foi pago pelos prefeitos, está parado no DAER”, afirmou.
As demandas relacionadas à BR-285 e à ERS-344 foram reforçadas por diferentes representantes regionais. Presidente da Agência de Desenvolvimento de Santo Ângelo (AGIR), Douglas Rhuan Antunes, afirmou que o aumento do fluxo de veículos já não condiz com a capacidade atual da rodovia federal. Sobre a ERS-344, disse que “só quem vive aqui e usa essa estrada diariamente sabe o quanto é custoso. E não falo só de dinheiro, mas de vidas que são perdidas em acidentes”, lembrando que a condição das rodovias atrapalha vocações regionais como o turismo. Já o representante do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística de Santa Rosa (Sintralog), Elemar Walker, relatou precariedade até na sinalização e defendeu a implantação de terceiras faixas para reduzir acidentes e melhorar o escoamento da produção regional.
Representando a Associação Comercial e Industrial de Ijuí (ACI) e o Hospital Bom Pastor, Martinho Kelm também cobrou melhorias em rodovias estratégicas, como a RS-342, entre Ijuí e Cruz Alta, especialmente em função da ampliação de empresas de produção de biodiesel, e reforçou a necessidade do contorno de Catuípe, na ERS-218, via muito utilizada também por pessoas que acessam o Aeroporto Sepé Tiaraju, de Santo Ângelo.
Na área da saúde, lideranças regionais relataram dificuldades estruturais e defenderam maior regionalização dos atendimentos. Nívio Braz falou sobre as dificuldades para os municípios e para os pacientes por conta dos longos deslocamentos para tratamentos em outras regiões.
“A saúde não pode ficar andando sobre rodas”, declarou.
Diretor-geral do Hospital Regional das Missões, Agnaldo Sampietri defendeu maior regionalização da saúde e mais agilidade na aprovação de projetos assistenciais. Já o provedor da mesma instituição, Renato Salzano, pediu apoio para ampliação da estrutura hospitalar e criação de uma unidade de queimados na região, reduzindo a dependência de vagas em Porto Alegre.
Presidente do Hospital de Clínicas de Ijuí, Douglas Uggeri apresentou o projeto do Hospital da Criança Mauricio de Sousa, voltado ao atendimento oncológico e de outras especialidades pediátricas no interior do Estado. “Hoje são 108 crianças só na área oncológica que precisam ir para Passo Fundo ou Porto Alegre”, afirmou. Segundo ele, a proposta busca aproximar os pacientes de suas famílias e reduzir riscos durante o tratamento.
“Não é um projeto somente de Ijuí ou do HCI, mas de toda a nossa macrorregião”, sinalizou.
As discussões também envolveram temas ligados ao setor produtivo e à educação. Vice-presidente do Sindilojas Santo Ângelo, o anfitrião Maiquel Tadeu criticou a elevada carga tributária e manifestou preocupação com o aumento de custos ao setor produtivo. O diretor da Farsul, Lourenço Bittencourt, defendeu políticas permanentes de irrigação, destacando que atualmente apenas cerca de 4% das áreas agrícolas no Estado são irrigadas.
“O maior seguro hoje do agro é a irrigação, que dá mais segurança para o produtor”, afirmou.
Já a diretora-geral da URI, professora Berenice Rossner Wbatuba, pediu maior atenção do Estado aos ambientes de inovação e parques tecnológicos localizados no interior, argumentando que a maior parte dos investimentos acaba concentrada nas regiões metropolitanas. Também citou a legislação que prevê o repasse de 0,5% da Receita Líquida de Impostos Próprios ao ensino superior comunitário, com foco no financiamento de bolsas de estudo e no fortalecimento das universidades comunitárias como instrumentos de desenvolvimento regional.
Na segurança pública, o comandante do CRPO Missões, coronel Alexsander Duarte, apoiou a retirada da taxa de contrapartida de 10% do Programa de Incentivo ao Aparelhamento da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (PISEG/RS), lembrando que a lei em parceria com a iniciativa privada ajuda a viabilizar, por exemplo, a compra de viaturas blindadas para a Brigada Militar. Já o prefeito de Tuparendi e presidente da Associação dos Municípios da Fronteira Noroeste (Amufron), Júlio Cezar Mattiazzi, pediu mais enfrentamento aos crimes digitais e também defendeu investimentos em tecnologia, energia e infraestrutura nas zonas rurais.
No término da apresentação das demandas, Zucco (PL-RS) afirmou que pretende tornar iniciativas como o próprio Força Gaúcha uma política de governo para ouvir de forma permanente as entidades, lideranças e comunidades num eventual governo. “Queremos governar com a participação da sociedade, ouvindo, dialogando e compartilhando nossas ações”, apontou. O pré-candidato também garantiu que a infraestrutura e a segurança pública serão áreas prioritárias na gestão.
“Hoje, a atual agenda de governo se preocupa em pagar as contas. Vamos manter sim a responsabilidade fiscal, mas precisamos de desenvolvimento econômico, olhando exemplos como Paraná e Santa Catarina, pois enquanto eles avançam o Rio Grande do Sul é o que menos cresce há mais de 20 anos entre todos os estados”, acrescentou.
Zucco lembrou que irá escolher secretários por eficiência, não por questões políticas, além de ampliar a força política em Brasília em prol do Estado para entregar mais resultados. “Vamos cobrar do governo federal mais respeito ao nosso Estado, articular em defesa das nossas demandas no Congresso Nacional, em torno dos que nos unem, para que consigamos avançar em pautas como a duplicação das rodovias federais”, reforçou.
Pré-candidata a vice-governadora, Silvana Covatti (Progressistas), acompanhou o encontro e também ressaltou que a escuta das entidades e de quem vive nos municípios será permanente.
“Ouvimos reivindicações sobre saúde, infraestrutura, educação. Temas que aparecem em todas as regiões por onde o Força Gaúcha tem passado. Muitas dessas soluções não exigem medidas impossíveis, mas planejamento, organização e vontade de fazer acontecer. Tenham certeza de que todas essas sugestões serão analisadas com muita seriedade para a construção do nosso plano de governo”, completou.