12/12/2024
Debatedores defendem mais autonomia do Brasil dentro do Brics
Brasília – Debatedores ouvidos pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados na última terça-feira, 10, discutiram o papel do Brasil no Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Arábia Saudita, Egito, Etópia e Emirados Árabes Unidos. A sessão, solicitada pelo deputado General Pazuello (PL-RJ), destacou a importância de o Brasil adotar uma agenda independente e evitar conflitos geopolíticos, especialmente ao assumir a presidência do bloco em 2025.
Durante a reunião, debatedores ressaltaram que o Brics deve permanecer como um fórum econômico, voltado para o desenvolvimento dos países membros. General Pazuello destacou que “o bloco deve manter-se focado em suas origens econômicas. Se ele migrar para um viés mais geopolítico, pode gerar complicações”. O parlamentar alertou para os riscos de alianças geopolíticas entre países como Rússia, Irã e China, que poderiam se contrapor às ideias ocidentais.
O deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) enfatizou as vantagens do Brics, destacando a descentralização e o respeito à soberania nacional dos países membros. Segundo ele, “a pluralidade do bloco pode ser uma alternativa à hegemonia do dólar e aos desafios impostos pelas economias emergentes”. Contudo, Orleans e Bragança reforçou que o Brasil precisa desenvolver uma agenda própria e defender seus interesses e instituições dentro do grupo.
A ausência de investimentos robustos em tecnologia, infraestrutura e defesa foi criticada pelo representante da Marinha, Robinson Farinazzo. Segundo ele, “o Brasil entra no Brics como o parceiro mais frágil, sem uma agenda própria, o que o torna um território de disputa”. Para avançar, é essencial investir em inovação e posicionar o país de forma competitiva.
O jornalista e analista geopolítico Lucas Leiroz sugeriu que o Brasil promova a formação de organizações e fóruns específicos dentro do Brics. “Precisamos transformar o Brics em algo mais que uma sigla. Criar eventos e estruturas que consolidem o bloco como uma referência internacional”, afirmou.
Com a presidência do bloco em 2025, o Brasil tem a oportunidade de definir direções estratégicas para fortalecer seu papel no Brics. As discussões apontam para a necessidade de priorizar o engajamento econômico e evitar envolvimentos que possam comprometer a soberania nacional.