06/02/2025
Brasília – O coordenador da Frente Parlamentar em Apoio a Migrantes Transnacionais e Refugiados, deputado General Pazuello (PL-RJ), está articulando medidas para reverter a suspensão de repasses dos Estados Unidos à Operação Acolhida. O parlamentar busca sensibilizar o governo norte-americano e garantir a continuidade do financiamento para a iniciativa, que desde 2018 auxilia migrantes na fronteira com a Venezuela.
Em janeiro de 2025, o governo dos Estados Unidos suspendeu por 90 dias todos os repasses de ajuda humanitária coordenados pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid). A medida impacta diretamente agências da ONU e programas como a Operação Acolhida, que atualmente recebe uma média de 300 a 400 venezuelanos por dia no Brasil.
O deputado General Pazuello (PL-RJ), que coordenou a Operação Acolhida em 2018, defende que a iniciativa é um exemplo de boas práticas e uso eficiente dos recursos. Ele solicitou que todos os órgãos e agências envolvidas reúnam dados concretos para apresentar aos Estados Unidos, visando a retomada do financiamento.
“Temos força para mostrar que os recursos foram empregados corretamente no acolhimento dos migrantes e que os EUA podem retornar com esse financiamento. Aqui não há viés ideológico, mas sim um compromisso humanitário”, afirmou Pazuello (PL-RJ).
Além da articulação com os Estados Unidos, o parlamentar cobrou um planejamento estratégico dos governos federal, estaduais e municipais para assumirem efetivamente ações de acolhimento em território nacional.
Durante a primeira reunião do ano, realizada na última quarta-feira, 5, a Frente Parlamentar analisou o impacto imediato da suspensão dos repasses e discutiu projeções futuras para a Operação Acolhida.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) informou que já investiu mais de US$ 100 milhões desde 2018 em ações de acolhimento, abrigo e interiorização de refugiados venezuelanos no Brasil. Representantes da ONU alertaram que, caso a suspensão de recursos se torne definitiva, a continuidade da operação estará comprometida.
A Organização Internacional para as Migrações (OIM), que atua no acolhimento de migrantes venezuelanos, haitianos e cubanos, afirmou que já busca novas parcerias para garantir a sustentabilidade da operação.
“Ainda temos fundos, mas precisamos conseguir mais recursos urgentemente para manter o trabalho em Pacaraima, Boa Vista, Manaus e nas demais cidades que auxiliam na formação profissional e integração dos migrantes”, explicou Michelle Barron, representante da OIM.
Outros órgãos da ONU , como o Unicef e o Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA), também demonstraram preocupação com os impactos da suspensão de financiamento. Segundo Caio Oliveira, do UNFPA, o corte pode afetar diretamente os serviços de saúde e assistência social em Roraima, estado que já enfrenta índices alarmantes de mortalidade materna entre migrantes.
“Nós temos uma composição de fundos que nos permite ainda permanecer em operação, mas o impacto será inevitável. Hoje, cerca de 5 mil gestantes venezuelanas entram no Brasil por ano, e 80% delas não fazem pré-natal, o que já triplica a taxa de mortalidade materna em Roraima”, afirmou Oliveira.
Representantes da Polícia Federal e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) participaram da reunião e prometeram colaborar na busca por soluções para manter a Operação Acolhida ativa.
Diante do cenário global de novos fluxos migratórios, intensificados por conflitos internacionais e deportações em massa dos Estados Unidos, a Frente Parlamentar defende reforço no orçamento brasileiro para ações humanitárias.
A expectativa é que a articulação política liderada por General Pazuello (PL-RJ) ajude a garantir novas fontes de financiamento e ampliação da Operação Acolhida, garantindo dignidade e segurança para os migrantes.