
Líder da Oposição na Câmara, deputado federal Zucco (PL-RS) - Foto: divulgação/Agência Câmara de Notícias
10/12/2025
Constituição proíbe o uso da publicidade estatal para fins políticos e eleitorais; ela só pode ter caráter educativo, informativo ou de orientação social
Brasília – A Oposição no Congresso Nacional protocolou, nesta quarta-feira, 10, uma Representação TCU 10-12 no Tribunal de Contas da União (TCU) e uma ação popular na Justiça Federal do Distrito Federal contra o governo Lula, após denúncias de que a publicidade oficial estaria sendo usada para pressionar o Congresso, mobilizar militantes, atacar adversários e difundir informações enganosas. As duas peças têm o mesmo teor e foram apresentadas pelo líder da Oposição na Câmara, deputado federal Zucco (PL-RS).
A iniciativa ocorre dias depois de reportagem do jornal O Estado de S. Paulo revelar que perfis oficiais do governo vêm produzindo e impulsionando conteúdos nas redes sociais para defender projetos do Executivo, constranger parlamentares e induzir a opinião pública durante votações. Segundo especialistas ouvidos pelo jornal, a prática representa uso político da máquina estatal e pode configurar irregularidade grave.
Zucco (PL-RS) afirma que os fatos expostos pela imprensa coincidem integralmente com o conteúdo da representação, cuja base é o conjunto de postagens e campanhas feitas por órgãos oficiais do governo. Para o deputado, trata-se de “um desvio de finalidade inédito na história recente”.
“O governo Lula transformou a publicidade estatal em instrumento de pressão política. Está usando dinheiro público para promover seus projetos, atacar quem discorda e manipular a população. Isso é ilegal, imoral e perigoso para a democracia. Por isso fomos ao TCU e à Justiça”, disse o líder da Oposição.
A representação sustenta que o governo federal estaria violando entendimento explícito do Tribunal de Contas da União (TCU), que já proibiu campanhas semelhantes no passado. O documento lista cinco práticas consideradas inconstitucionais:
1. Promoção de propostas legislativas enviadas ao Congresso, apresentadas como se fossem políticas públicas já aprovadas.
2. Constrangimento a deputados e senadores que manifestam posições contrárias.
3. Mobilização política de cidadãos para pressionar parlamentares durante votações.
4. Contradita a decisões internas do Legislativo, com campanhas contra pareceres e relatórios técnicos do Congresso.
5. Obtenção de apoio a projetos por meio de desinformação, com dados manipulados ou incompletos.
Esses elementos aparecem de forma sistemática na documentação juntada, com dezenas de peças publicadas em perfis oficiais, especialmente no Instagram.
A ação destaca que, em diversas ocasiões, o governo fez publicações instruindo seguidores a “cobrar o seu deputado”, induzindo a população a pressionar parlamentares de forma organizada. Peças impulsionadas acusavam deputados de “proteger super-ricos”, “enfraquecer a polícia” ou “ser contra o povo brasileiro” caso votassem de maneira diferente da defendida pelo Executivo.
Também foram anexados vídeos nos quais o governo afirma que, se o Congresso não aprovasse integralmente as propostas do Executivo, “faltaria dinheiro para manter programas sociais”, criando, segundo a ação, uma narrativa de chantagem política apoiada em informações incompletas ou distorcidas.
Há ainda exemplos de ataques diretos a relatórios técnicos do Parlamento, como peças classificando pareceres contrários ao governo como “protetores de facções criminosas” ou “contrários à Constituição”. Em outro caso, alterações legítimas feitas por deputados e senadores foram descritas como “ameaças ao Brasil”, em campanhas que alcançaram milhões de visualizações e receberam impulsionamento pago com recursos públicos.
• Investigação imediata das condutas atribuídas à Secretaria de Comunicação da Presidência da República;
• Concessão de medida cautelar para suspender todas as campanhas relacionadas a projetos legislativos;
• Auditoria nos gastos com impulsionamento e contratação de publicidade;
• Responsabilização dos agentes públicos envolvidos.
Zucco (PL-RS) afirma que continuará monitorando as ações do governo e que outras medidas poderão ser adotadas caso novas irregularidades sejam identificadas.
“A democracia não resiste quando o Executivo tenta controlar o debate público usando dinheiro público. O Brasil precisa de transparência, não de propaganda disfarçada. Vamos até o fim para garantir que a Constituição seja respeitada”, concluiu.