
Em discurso, à tribuna, senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) - Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
04/09/2025
Brasília – O autor do projeto, senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), defende que a criação do Exame Nacional de Proficiência em Medicina é fundamental para garantir a qualidade da formação médica no Brasil e a segurança da população. A proposta (PL 2.294/2024) foi debatida em audiência pública na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado.
O texto estabelece que médicos recém-formados só poderão se registrar no Conselho Regional de Medicina (CRM) após aprovação no exame. Estão dispensados os profissionais já inscritos no CRM e os estudantes que ingressaram em cursos de medicina antes da vigência da lei.
Atualmente, o Brasil possui 449 escolas médicas, sendo 266 abertas após 2013. Grande parte dessas instituições não dispõe de hospitais de ensino ou estrutura adequada, o que, segundo especialistas, compromete a qualidade da formação.
O relator do projeto na CAS, senador Dr. Hiran (PP-RR), afirmou que a medida é uma resposta à abertura indiscriminada de cursos de medicina no país, muitas vezes sem critérios de qualidade. Para ele, o exame será um mecanismo de proteção social e fortalecimento da credibilidade da profissão médica.
O presidente da Associação dos Estudantes de Medicina do Brasil (Aemed), Gabriel Sanchez Okida, também apoiou a proposta, afirmando que o exame não é um entrave burocrático, mas uma forma de garantir que apenas profissionais capacitados ingressem no mercado.
Por outro lado, representantes de entidades médicas e de saúde argumentaram que o exame não resolve os problemas estruturais da formação. Para o ex-ministro da Saúde Arthur Chioro, a medida pune o estudante e sua família, em vez de responsabilizar as instituições de ensino de baixa qualidade.
Outros participantes alertaram que, se aprovado, o projeto pode gerar um contingente de formados sem possibilidade de exercer a profissão, agravando problemas sociais e econômicos.
O debate segue na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), onde o projeto ainda será votado. Caso aprovado, seguirá para as demais etapas de tramitação no Congresso Nacional.