
Amália Barros (PL-MT) lembrou que a educação bilíngue para surdos independe da educação especial
27/03/2024
Tema foi debatido em audiência pública realizada pela Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência
Brasília – Na última terça-feira, 23, participantes de uma audiência pública na Câmara dos Deputados defenderam veementemente que a educação bilíngue de surdos vai muito além da mera presença de intérpretes de Libras em sala de aula. Conforme enfatizado pelo professor-adjunto do Departamento de Libras da Universidade Federal de Santa Catarina, Rodrigo Rosso Marques, o aspecto fundamental do ensino bilíngue é a comunicação, com a língua de sinais sendo o meio de instrução principal em todos os ambientes escolares, enquanto o português é aprendido como segunda língua.
Durante a audiência, Rodrigo Marques destacou as particularidades da metodologia de ensino para surdos, salientando a importância do uso contínuo da linguagem de sinais pelos professores, em vez de dependerem de intérpretes, o que facilitaria a compreensão das necessidades dos alunos. Ele ressaltou ainda que as aulas em escolas bilíngues para surdos devem ser mais longas do que em instituições destinadas apenas a ouvintes, a fim de permitir pausas para que os alunos possam registrar as informações de forma adequada.
A deputada Amália Barros (PL-MT), autora do pedido para a realização do debate, enfatizou que a educação bilíngue para surdos é garantida não apenas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, mas também por uma legislação específica de 2021, representando uma modalidade de ensino independente da educação especial. No entanto, ela ressaltou a necessidade de avançar para garantir que mais instituições escolares ofereçam uma educação bilíngue de qualidade, com profissionais habilitados e estrutura adequada.
Um dos pontos críticos discutidos foi a seleção de professores para as escolas bilíngues para surdos. Segundo Messias Ramos Costa, coordenador-substituto do Curso de Língua de Sinais Brasileira, muitos professores não possuem fluência suficiente em Libras para atuar nessas instituições, sugerindo a criação de bancas de avaliação formadas por pessoas surdas como uma maneira de corrigir esse problema.
Dados apresentados pelo professor Rodrigo Marques revelaram que, de acordo com o censo escolar de 2020, havia cerca de 63.106 alunos surdos matriculados na educação básica no Brasil, sendo apenas pouco mais de 7 mil na educação bilíngue, em contraste com uma comunidade surda estimada em cerca de 11 milhões de pessoas.