
Líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ) - Foto: divulgação/Assessoria de Imprensa
16/07/2025
Brasília — O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados decidiu nesta segunda-feira, 15, por maioria, suspender o deputado André Janones (Avante-MG) do exercício do mandato por 90 dias, em caráter cautelar. A decisão ocorreu após análise de representação apresentada pelo líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), em razão de condutas atribuídas a Janones, consideradas ofensivas e incompatíveis com o decoro parlamentar.
A suspensão se baseia em episódio recente no plenário da Câmara, quando Janones se dirigiu ao espaço da bancada do PL durante discurso do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), supostamente para filmar e confrontar o colega. O comportamento gerou reação imediata da bancada, que interpretou a atitude como provocativa e disruptiva. Sóstenes classificou o gesto como “desserviço ao Parlamento” e “quebra de decoro reiterada”.
Durante a reunião, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) reforçou que, como líder do PL, havia solicitado inicialmente uma suspensão de seis meses, mas que aceitou a proposta de três meses apresentada pelo relator, deputado Fausto Santos Jr. (União-AM), por entender que a medida tem valor pedagógico.
“Pedimos seis meses, mas pedagogicamente os três meses servem. É o tempo necessário para tramitar os outros processos que o deputado Janones tem: por quebra de decoro, ofensas a parlamentares, falta de ética. Ele é o deputado que gosta de lacrar na internet, não está preocupado com o povo brasileiro e pouco é assíduo no plenário”, declarou.
O parlamentar também destacou a ausência de Janones durante a sessão, afirmando que o presidente do Conselho de Ética tentou notificá-lo durante todo o dia anterior, sem sucesso.
“O gabinete estava fechado. Isso mostra o desprezo dele pelo processo ético e pela instituição. É um deputado que presta um péssimo serviço ao povo mineiro e ao Brasil. Essa suspensão é só o começo do que ele ainda vai colher. Tenho certeza de que, em breve, ele também será cassado.”
Outro ponto de tensão foi a declaração feita pelo próprio Janones na qual afirmou ter sido apalpado durante o episódio no plenário. A acusação foi duramente rebatida por Sóstenes, que cobrou provas. “Ele tem que provar o que diz. É um falastrão profissional. Que mostre imagens, se houve qualquer tentativa de ato libidinoso. E, se houvesse, nós não seríamos coniventes. Mas por que não mostrou nenhuma prova hoje? Porque ele é um falastrão contumaz!”
Na mesma linha, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) também se pronunciou durante a sessão, afirmando que Janones age de forma recorrente com agressividade e desrespeito. Ele apresentou trechos de publicações feitas pelo parlamentar mineiro nas redes sociais, incluindo xingamentos, acusações sem provas e mensagens consideradas ofensivas contra adversários políticos. Jordy (PL-RJ) defendeu, inclusive, a cassação definitiva de Janones.
“Esse cidadão precisa ser suspenso, sim, mas o ideal seria a cassação. Ele deveria ser submetido a exame toxicológico e de sanidade mental. O comportamento dele é anormal e envergonha esta Casa.”
Com a decisão, André Janones (Avante-MG) ficará afastado de suas atividades parlamentares por três meses. O parlamentar ainda pode recorrer da decisão no plenário da Câmara dos Deputados.