
Segundo Wellington Fagundes (PL-MT), grande parte da produção se perde nas rodovias; Buzetti criticou suspensão do projeto da Ferrogrão pelo STF – Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
11/03/2024
Brasília – A produção agropecuária brasileira alcançou um recorde em 2023, com um crescimento de 15,1%, o maior desde 1995, conforme dados do Ministério da Agricultura e Pecuária. No entanto, o escoamento dessa produção ainda enfrenta desafios significativos no país, principalmente devido à predominância do transporte rodoviário, à carência de infraestrutura ferroviária e hidroviária e à dificuldade de acesso aos portos, especialmente na metade norte do Brasil.

Segundo a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a soja e o milho, dois dos principais produtos agrícolas do país, somaram 286,5 milhões de toneladas em 2023, com uma grande parte dessa produção vindo das novas fronteiras agrícolas, acima do paralelo 16°S. Para o agronegócio, essa linha representa a preferência para o escoamento da safra de grãos.

Durante uma audiência pública na Comissão de Agricultura (CRA), requerida pelo senador Jaime Bagattoli (PL-RO), a assessora técnica da CNA, Elisangela Pereira Lopes, destacou que, embora a produção agrícola nessas novas fronteiras seja significativa, apenas uma parcela dela é escoada pelos portos do Arco Norte.

O senador Wellington Fagundes (PL-MT) enfatizou a importância do desenvolvimento do modal ferroviário, citando a construção da primeira ferrovia estadual em Mato Grosso como um marco relevante. Ele comemorou o avanço da ferrovia de Rondonópolis até Cuiabá, ressaltando o papel crucial do Marco Legal das Ferrovias, aprovado pelo Congresso em 2021.
Entretanto, a senadora Margareth Buzetti (PSD-MT) expressou preocupação com a suspensão do projeto da Ferrogrão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), uma ferrovia vital para escoar a produção agrícola do Centro-Oeste até os portos do Norte.
Diante desses desafios, é evidente que é necessário um esforço coordenado entre o governo, o setor privado e a sociedade para superar os gargalos logísticos e garantir um escoamento eficiente da produção agropecuária brasileira.