
Deputado Helio Lopes (PL-RJ) - Foto: Rogério Dias
17/10/2025
Em audiência pública, deputado cobra responsabilização e diz que o Brasil financiou ditadura cubana com dinheiro do contribuinte
Brasília – O deputado Helio Lopes (PL-RJ) denunciou, em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados, graves violações de direitos humanos e práticas análogas à escravidão no âmbito do Programa Mais Médicos. Segundo o parlamentar, o Brasil foi cúmplice de um sistema que explorou médicos cubanos e enviou recursos bilionários ao regime ditatorial de Cuba, com a intermediação da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
“O Brasil não pode ser cúmplice de um modelo que retira a liberdade de médicos cubanos, ao mesmo tempo em que envia recursos para sustentar uma ditadura. Precisamos discutir com seriedade se, em nome da saúde pública, não estamos fechando os olhos para graves violações de direitos humanos”, afirmou Helio Lopes (PL-RJ).
O deputado destacou que, enquanto o governo brasileiro pagava cerca de R$ 11 mil por profissional, os médicos cubanos recebiam menos de R$ 3 mil, e o restante era retido pelo governo de Cuba.
“Isso não foi um programa de saúde, mas um esquema de exploração e financiamento de uma ditadura”, criticou.
Lopes lembrou que, no governo Bolsonaro, o modelo foi substituído pelo programa Médicos pelo Brasil, que garantiu contratação direta, direitos trabalhistas e transparência nos gastos públicos.
“O governo anterior corrigiu um erro histórico. O que antes era exploração, passou a ser valorização do profissional e respeito ao dinheiro público”, disse.
Entre os participantes da audiência, a médica e ex-secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Dra. Mayra Pinheiro, classificou o Mais Médicos como “um caso de tráfico de pessoas e trabalho forçado”. “Mais de 15 mil cubanos recebiam apenas R$ 2.900, enquanto o restante dos salários era enviado a Cuba. A OPAS intermediou tudo e ficou com parte dos valores. Isso representou cerca de 1,5 bilhão de dólares desviados”, afirmou.
O presidente do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), Angelo Vattimo, criticou a criação de “duas medicinas” no país.“Para os ricos, médicos com diploma e registro; para os pobres, profissionais sem validação. Isso é inadmissível”, declarou.
O ex-secretário de Atenção Primária à Saúde, Rafael Câmara, destacou que o governo Bolsonaro substituiu o modelo ideológico por um programa técnico e meritocrático. “O Médicos pelo Brasil garantiu estabilidade, bons salários e transparência. O Mais Médicos foi o oposto disso — um projeto político de exploração”, disse.
O deputado Alan Garcez (PP-MA) relatou que médicos cubanos eram monitorados e tinham suas famílias mantidas sob vigilância em Cuba. “Eles eram reféns do regime, impedidos de trazer familiares e submetidos a chantagens. Essa realidade precisa ser reconhecida e denunciada”, afirmou.
O conselheiro federal de Medicina Francisco Cardoso chamou o programa de “arranjo de subjugação humana travestido de cooperação internacional”, denunciando o papel da OPAS como “escudo jurídico e financeiro” dos repasses a Cuba.
Já o presidente do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso, Diogo Sampaio, reforçou que o Mais Médicos serviu para financiar a ditadura cubana. “A exploração foi denunciada pelos próprios profissionais, que se chamavam de escravos modernos. É um capítulo vergonhoso da nossa história”, declarou.
Ao encerrar a audiência, Helio Lopes (PL-RJ) anunciou que será elaborado um relatório técnico com base nos depoimentos e documentos apresentados, que será encaminhado a organismos nacionais e internacionais de direitos humanos.
“O Brasil não pode continuar financiando ditaduras nem tolerando a exploração de trabalhadores. Essa é uma questão moral, humanitária e de soberania nacional”, concluiu o deputado.