
Deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) - Foto: Ian Dias
01/04/2026
Mato Grosso do Sul – Durante o 1º Seminário pela Conscientização do Autismo, realizado na Câmara Municipal de Campo Grande na tarde desta quarta-feira, o deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) fez um discurso marcado por emoção e relatos pessoais sobre sua vivência com o Transtorno do Espectro Autista (TEA). O evento foi uma proposição do vereador Coringa (MDB-MS).
Em sua fala, o deputado destacou a importância de ampliar o debate sobre o autismo, ressaltando que ainda há muita desinformação e preconceito na sociedade, também compartilhou sua trajetória pessoal, revelando que por muito tempo foi rotulado como “antissocial” ou “diferente”, até descobrir que estava no espectro autista, condição que, segundo ele, trouxe respostas, mas também novos desafios.
Pollon (PL-MS) afirmou que tornar público seu diagnóstico foi uma decisão difícil, especialmente devido ao preconceito enfrentado por pessoas com autismo nível 1 de suporte. Segundo ele, ainda é comum ouvir que “todo mundo é autista” ou que o diagnóstico é utilizado para obter vantagens, quando, na prática, o que existe é a invalidação e o capacitismo. Ele também destacou que, em muitos casos, o laudo leva à desconfiança sobre a capacidade profissional das pessoas.
O parlamentar relembrou ainda as dificuldades enfrentadas na infância, destacando que, por vir de uma família humilde, o acesso ao diagnóstico e ao acompanhamento especializado não era prioridade. Para ele, essa realidade ainda é vivida por milhares de famílias brasileiras.

Deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) – Foto: Ian Dias
Como encaminhamento, o deputado defendeu a criação de centros de excelência em todos os municípios, voltados ao atendimento de crianças com autismo, garantindo diagnóstico precoce, acompanhamento e suporte adequado. Ele também ressaltou a necessidade de investir na capacitação de professores e profissionais da educação para lidar com alunos dentro do espectro.
Um dos momentos mais marcantes do discurso foi o relato de um encontro com uma mãe que chorava após o filho autista ser retirado de um mercado durante uma crise. Ao se identificar como uma pessoa dentro do espectro, Pollon (PL-MS) contou que a reação da mãe foi de esperança ao perceber que é possível ter uma vida funcional, estudar e alcançar espaços de destaque na sociedade. Segundo ele, esse episódio foi decisivo para tornar público seu diagnóstico.
O deputado também relatou experiências pessoais recentes, incluindo um período de regressão em que ficou temporariamente não verbal, destacando as dificuldades enfrentadas mesmo em ambientes institucionais. Para ele, a falta de estrutura e suporte adequado ainda é uma realidade, inclusive em espaços públicos.
Ao finalizar o discurso, reforçou que o autismo precisa ser tratado com seriedade, com políticas públicas efetivas, inclusão e respeito.
“Se hoje estou aqui como deputado federal, é para mostrar que é possível e para lutar para que outras pessoas tenham as oportunidades que eu não tive”, afirmou.