
Deputada Silvia Waiãpi (PL-AP): a autora do projeto - Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
24/02/2025
Brasília – A deputada Silvia Waiãpi (PL-AP) apresentou à Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 4211/24, que proíbe a comercialização de motores para embarcações sem proteção adequada nos eixos de transmissão e outras partes móveis externas. O objetivo é evitar acidentes que possam resultar em escalpelamento ou outras lesões físicas.
O escalpelamento ocorre quando os cabelos de uma pessoa se enroscam nos eixos dos motores das embarcações, levando à perda parcial ou total do couro cabeludo. Esse tipo de acidente é comum no transporte fluvial da Amazônia, onde muitas embarcações ainda circulam sem proteção adequada.
Dados mostram que entre 1967 e 2022, mais de 500 casos de escalpelamento foram registrados no Brasil. Em alguns casos, as vítimas perdem orelhas, sobrancelhas, pálpebras e parte do rosto e do pescoço, podendo levar à morte.
A deputada Silvia Waiãpi (PL-AP) destaca que, além das graves consequências físicas e psicológicas, os custos com tratamentos para vítimas de escalpelamento geram um impacto significativo para o Sistema Único de Saúde (SUS).
“Estima-se que o tratamento de uma vítima de escalpelamento grave possa custar ao SUS entre R$ 100 mil e R$ 200 mil, dependendo da quantidade de cirurgias necessárias para reconstrução”, explica a parlamentar.
Ela também enfatiza o impacto econômico nas famílias afetadas, que muitas vezes dependem da força de trabalho de suas integrantes.
Pela proposta, as proteções dos eixos dos motores deverão atender aos seguintes critérios:
As embarcações já em uso terão seis meses para se adaptar e instalar as proteções exigidas.
O não cumprimento da norma sujeitará o infrator a:
O projeto não altera leis existentes, mas complementa as medidas já vigentes no Brasil:
A proposta tramita em caráter conclusivo e será analisada pelas Comissões de Indústria, Comércio e Serviços; de Viação e Transportes; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Para se tornar lei, o projeto precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.