
Presidente da Comissão Externa da Câmara dos Deputados, Coronel Fernanda (PL-MT) – Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados
26/03/2025
Brasília – Coronel Fernanda (PL-MT), presidente da comissão externa da Câmara dos Deputados que acompanha a crise humanitária no território Yanomami, questionou os números apresentados pelo governo federal durante audiência pública realizada nesta terça-feira, 25. Segundo os representantes do Executivo, houve redução de 94% nas áreas de garimpo ativas desde o início das operações em março de 2024, mas a parlamentar contestou os dados e pediu esclarecimentos.
O coordenador da Casa de Governo em Roraima, Nilton Tubino, informou que as áreas de garimpo ativo passaram de 4.570 hectares em 2024 para 273 hectares em março de 2025. Ele também destacou que a abertura de novas áreas caiu mais de 99,5%. No entanto, Coronel Fernanda (PL-MT), com base em dados da ONG Greenpeace, apontou que entre julho e setembro de 2024 foram abertos 50 hectares de garimpo, o que representa aumento de 32% em relação ao mesmo período de 2023.
“Há um genocídio ocasionado pela omissão dos gestores estatais? O Greenpeace está errado?”, questionou a parlamentar, destacando que a crise persiste apesar dos investimentos bilionários anunciados pelo governo.
Outro ponto crítico abordado pela deputada foi o aumento dos casos de malária e desnutrição. De acordo com ela, o número de casos de malária subiu de 78 mil, em 2023, para mais de 136 mil em 2024. A desnutrição entre crianças Yanomami de até 5 anos também cresceu, passando de 49,2% para 51%, mesmo com o envio de cestas básicas.
Coronel Fernanda (PL-MT) questionou o valor de R$ 1.536 por unidade de cesta básica entregue aos Yanomami. O secretário nacional de Direitos Territoriais Indígenas, Marcos Kaingang, justificou o custo com a logística de transporte aéreo até as comunidades isoladas. Segundo ele, foram entregues 114 mil cestas com investimento emergencial de R$ 185 milhões. Ele ainda informou que não houve irregularidades, conforme auditorias do TCU e CGU.
“O que deveria assustar as pessoas são os Yanomami morrendo de fome, não o preço da cesta de alimento”, respondeu Kaingang.
O governo destacou que, atualmente, a prioridade é fornecer ferramentas e sementes para que os Yanomami possam retomar o cultivo de alimentos como mandioca e banana. Segundo Nilton Tubino, o garimpo impedia anteriormente a mobilidade das comunidades, dificultando suas atividades agrícolas.
A deputada Coronel Fernanda (PL-MT) reforçou o papel fiscalizador da comissão e propôs o aprofundamento das investigações sobre os impactos reais da atuação do governo na região. Ela defende que a crise humanitária Yanomami seja tratada com rigor, transparência e responsabilidade, garantindo a segurança nacional e o respeito aos povos originários.