
Deputado federal Coronel Chrisóstomo (PL-RO) - Foto: divulgação/Agência Câmara de Notícias
24/10/2025
Deputado federal usou imagens de pessoas vulneráveis para ilustrar a gravidade dos crimes investigados e criticou o silêncio de depoentes durante a comissão
Brasília – Durante a oitiva da empresária e médica Thaisa Hoffmann Jonasson, na última quinta-feira, 23, o deputado federal Coronel Chrisóstomo (PL-RO) fez um duro pronunciamento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que apura fraudes em descontos irregulares nos benefícios de aposentados e pensionistas. A depoente, amparada por habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), optou por permanecer em silêncio durante a maior parte da sessão.
Ao usar uma sequência de imagens exibidas em slides, o parlamentar buscou mostrar a dimensão humana das irregularidades investigadas. As fotos apresentadas retratavam idosos, pessoas com deficiência, indígenas e crianças com doenças congênitas, representando, segundo o deputado,
“os verdadeiros lesados no esquema de desvio de recursos”.
“Na hora de roubar dos aposentados e pensionistas, viram os grandões, viram os leões. Mas quando chegam aqui, ficam calados. Esse dinheiro que passou no bolso da senhora e do seu marido pertence a essas pessoas”, afirmou o deputado, dirigindo-se à depoente.
Chrisóstomo (PL-RO) destacou que o trabalho da CPMI tem o objetivo de fazer justiça e devolver a confiança da população nas instituições públicas. Ele lembrou que o suposto desvio de recursos, que teria financiado um apartamento de R$ 28 milhões em Balneário Camboriú (SC), causa indignação entre parlamentares e reforça a necessidade de investigar a fundo o esquema que atingiu milhões de aposentados.
O parlamentar lamentou a postura de investigados que se recusam a colaborar com a comissão.
“É direito permanecer em silêncio, mas é dever moral esclarecer o povo brasileiro sobre o que foi feito com o dinheiro dos mais vulneráveis”, disse.
A empresária Thaisa Hoffmann é esposa do ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, também ouvido pela CPMI . Ele foi afastado do cargo em abril, após a operação Sem Desconto, da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU), que revelou um possível esquema de desvios milionários em descontos associativos.
As investigações apontam que Virgílio Filho teria recebido R$ 11,9 milhões de empresas ligadas a associações investigadas, por meio de companhias e contas bancárias em nome de Thaisa. Os dois são suspeitos de participar da circulação de valores indevidos que deveriam ir para aposentados e pensionistas.
Ao final do seu tempo de fala, o Coronel Chrisóstomo (PL-RO) reafirmou o compromisso da CPMI em defender os direitos dos idosos e pensionistas brasileiros.
“Eu criei esta comissão para fazer justiça aos vulneráveis, aos aposentados e pensionistas do Brasil. É por eles que estamos aqui, e não descansaremos até que todos os responsáveis sejam punidos”, concluiu o deputado.
A CPMI do INSS continua ouvindo testemunhas e investigados ligados ao esquema, e deve apresentar seu relatório final nas próximas semanas.