
Deputado Marcos Pollon (PL-MS) - Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados
06/04/2026
Brasília – O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados convocou para a próxima terça-feira, 7 de abril, a leitura e votação dos pareceres das duas representações contra o deputado Marcos Pollon (PL-MS), por manifestações em defesa da anistia dos presos políticos de 8 de janeiro.
“Nós precisamos encerrar esse capítulo triste da política brasileira que quer punir parlamentares por fazer o seu trabalho. Não fizemos nada de errado. Simplesmente não desistimos dos reféns do 8 de janeiro”, disse.
As duas representações contra Pollon são retaliações contra atuação em favor da anistia. A primeira representação, Pollon (PL-MS) e os deputados Zé Trovão (PL-SC) e Marcel van Hattem (Novo-RS) ocuparam a mesa diretora cobrando o compromisso do presidente da Casa para pautar a anistia. A segunda foi por ter feito um discurso em cima de um caminhão em ato pró-anistia em Campo Grande.
O ato de ocupação da mesa diretora em defesa dos presos de oito de janeiro contou com a participação de mais de 80 parlamentares, entretanto foram pinçados somente três deputados para sofrerem representação disciplinar. Coincidentemente, desses três, dois são pré-candidatos ao Senado nas eleições deste ano. Marcos Pollon (PL-MS) e Marcel van Hattem.
A última sessão do Conselho de Ética, em 17 de março, contou com a participação de familiares dos presos políticos de 8 de janeiro, que foram prestar solidariedade aos deputados Marcos Pollon (PL-MS), Zé Trovão (PL-SC) e Marcel van Hattem. Após mobilização da população, as representações foram retiradas de pauta. Obrigado às famílias dos presos políticos de 8 de janeiro que se fizeram presentes na comissão mostrando todo o seu apoio. Nós não desistiremos de vocês. Não desistiremos do nosso presidente Bolsonaro.
Durante o julgamento, Pollon (PL-MS) destacou que sua conduta está totalmente amparada pelo direito à livre manifestação do pensamento, inerente ao exercício do mandato parlamentar.
“Estou sendo perseguido por falar, falar em defesa de pessoas que eu conheço, que acompanho há anos, falar contra injustiças, falar pela liberdade e pela anistia de pessoas que sofreram perseguição política e daqueles que perderam a vida injustamente na cadeia. Se isso virar motivo para processo disciplinar, algo está muito errado”, declarou.
Durante os dois julgamentos, Pollon (PL-MS denunciou os abusos contra os presos políticos do 8 de janeiro. Foram relatados condições desumanas que os manifestantes presos tem enfrentado, incluindo casos de tortura, violência, humilhação e negligência.
Durante o andamento dos processos, o Conselho de Ética acumulou diversas irregularidades, estranhezas e ineditismos, levantando estranheza por parte de seus integrantes. No final do ano passado, o relator tentou levar a toque de caixa os depoimentos das testemunhas para apresentar o relatório ainda em 2025, antes do recesso parlamentar.
O julgamento contra Pollon (PL-MS está repleto de irregularidades e “ineditismos”. Pela primeira vez, parlamentares são julgados de maneira coletiva e não individual. Todas as testemunhas apresentadas por Pollon (PL-MS foram impedidas de depor pelo relator. Pela primeira vez em décadas, o conselho de ética realizou sessões extraordinárias às quintas e sextas.
As irregularidades foram tantas que o Conselho Federal da OAB passou a acompanhar o julgamento após denúncia do advogado de defesa de Marcos Pollon (PL-MS), Ricardo de Sequeira Martins. O advogado renunciou à defesa do parlamentar após denunciar que a comissão não estava assegurando condições mínimas para o exercício da advocacia.