
Deputado Marcos Pollon (PL-MS) - Foto: divulgação/Agência Câmara de Notícias
16/03/2026
Brasília – O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados convocou para a próxima terça-feira, 17 de março, a leitura e votação dos pareceres das duas representações contra o deputado Marcos Pollon (PL-MS), por manifestações em defesa da anistia dos presos políticos de 8 de janeiro.
As duas representações contra Pollon (PL-MS) são retaliações contra atuação em favor da anistia. A primeira representação, Pollon (PL-MS) e os deputados Zé Trovão (PL-SC) e Marcel van Hattem (Novo-RS) ocuparam a mesa diretora cobrando o compromisso do presidente da Casa para pautar a anistia. A segunda foi por ter feito um discurso em cima de caminhão em ato pró anistia em Campo Grande.
Durante o julgamento, Pollon (PL-MS) destacou que sua conduta está totalmente amparada pelo direito à livre manifestação do pensamento, inerente ao exercício do mandato parlamentar.
“Meu único ‘crime’ foi falar, falar em defesa de pessoas que eu conheço, que acompanho há anos, falar contra injustiças, falar pela liberdade e pela anistia de pessoas que sofreram perseguição política e daqueles que perderam a vida injustamente na cadeia. Se isso virar motivo para processo disciplinar, algo está muito errado”, declarou.
Durante os dois julgamentos, Pollon (PL-MS) denunciou os abusos contra os presos políticos do 8 de janeiro. Foram relatados condições desumanas que os manifestantes presos tem enfrentado, incluindo casos de tortura, violência, humilhação e negligência.
Durante o andamento dos processos, o Conselho de Ética acumulou diversas irregularidades, estranhezas e ineditismos, levantando estranheza por parte de seus integrantes. No final do ano passado, o relator tentou levar a toque de caixa os depoimentos das testemunhas para apresentar o relatório ainda em 2025, antes do recesso parlamentar.
O julgamento contra Pollon (PL-MS) está repleto de irregularidades e “ineditismos”. Pela primeira vez, parlamentares são julgados de maneira coletiva e não individual. Todas as testemunhas apresentadas por Pollon (PL-MS) foram impedidas de depor pelo relator. Pela primeira vez em décadas, o Conselho de Ética realizou sessões extraordinárias às quintas e sextas.
As irregularidades foram tantas que o Conselho Federal da OAB passou a acompanhar o julgamento após denúncia do advogado de defesa de Marcos Pollon (PL-MS), Ricardo de Sequeira Martins. O advogado renunciou à defesa do parlamentar após denunciar que a comissão não estava assegurando condições mínimas para o exercício da advocacia.