
Deputada federal Carol De Toni (PL-SC), líder da Minoria - Foto: divulgação/Agência Câmara de Notícias
10/09/2025
Projeto em análise na CCJC pode ser votado ainda hoje. Vendido como modernização processual, na prática amplia os poderes do STF e institucionaliza o ativismo judicial
Brasília – A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) pode votar hoje o Projeto de Lei nº 3.640/23, de autoria do deputado Marcos Pereira. A proposta altera o Código de Processo Civil sob o pretexto de “modernizar” o processo das ações constitucionais no Supremo Tribunal Federal (STF). Mas, na prática, representa a forma mais direta de consolidar a ditadura do Judiciário, ampliando poderes de uma Corte que já atua como legislador, gestor e censor da República.
Para a deputada federal Carol De Toni (PL-SC), líder da Minoria, o simbolismo não poderia ser mais evidente: em meio a um julgamento repleto de vícios e atropelos processuais contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados, o Congresso discute justamente um projeto que dá ainda mais poder ao STF.
“O Brasil vive uma crise institucional grave. O Supremo já ultrapassou há muito tempo os limites das suas competências. Em vez de reequilibrar os Poderes, os deputados podem acabar ampliando prerrogativas, entregando ainda mais espaço a ministros não eleitos e transformando em lei a supremacia judicial sobre o Parlamento”, alerta.
Carol ainda relembra que, sob a sua presidência, a CCJC aprovou em 2024 propostas justamente no sentido oposto: limitar os abusos do STF, reafirmar a separação dos Poderes e garantir que cada um cumpra suas competências constitucionais sem invadir a do outro. Para a parlamentar, o PL nº 3.640/23 segue em linha contrária a esse trabalho.
“Esse projeto vai na contramão de tudo que defendemos. Não é reforma, é licença para o Judiciário interferir ainda mais. O Congresso precisa resgatar seu protagonismo e defender a soberania popular, afinal são os deputados e senadores que representam os interesses dos brasileiros. O povo já está cansado de ser governado por juízes. Os parlamentares não podem abrir mão do seu papel legislativo nem legitimar a centralização de poder em um grupo de ministros sem controle popular”, critica.