
Senador Eduardo Gomes (PL-TO) - Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
10/05/2024
Brasília – Na última quinta-feira, 9, um debate crucial sobre a regulamentação da inteligência artificial (IA) foi realizado na Câmara dos Deputados, destacando a necessidade de legislação específica apesar das recentes normativas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o uso da IA nas eleições. O encontro evidenciou a preocupação com a ausência de uma lei abrangente que regule a tecnologia, o que poderia deixar o país vulnerável a decisões discricionárias e até arbitrárias por parte das plataformas e do judiciário.
Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), deputado que solicitou a realização do debate, defendeu uma abordagem equilibrada na regulamentação da IA, destacando seu potencial para democratizar o processo eleitoral através da redução de custos. Contudo, acadêmicos como Lucas Amato, da USP, e Tainá Junquilho, da UnB e do IDP, ressaltaram os perigos da falta de legislação. Junquilho enfatizou que, sob a presidência brasileira do G20, a regulamentação da IA é vista como um legado essencial.
Um momento decisivo para a regulamentação da IA se aproxima com o fim da consulta pública sobre o substitutivo do relator, senador Eduardo Gomes (PL-TO), para o projeto de lei (PL 2.338/23) que visa estabelecer um Sistema Nacional de Regulação e Governança da Inteligência Artificial (SIA). Este projeto é apenas um entre várias propostas em análise, buscando definir diretrizes claras para a atuação estatal e a colaboração entre diferentes setores na governança da IA.
Durante o evento, foram discutidos tanto os aspectos positivos quanto os riscos associados ao uso da IA em contextos eleitorais. Enquanto alguns especialistas, como Heloísa Massaro do InternetLab, alertaram sobre os perigos dos deep fakes e desinformação, outros, como Alisson Possa do IBMEC, destacaram como a IA pode contribuir para uma maior eficácia e equilíbrio nas campanhas eleitorais. A participação de grandes plataformas digitais, incluindo Meta, Google e TikTok, também foi notória, com um foco especial na velocidade da remoção de conteúdos inapropriados durante as eleições.
A complexidade e a urgência da regulação da IA ficam evidentes à medida que o Brasil se prepara para futuras eleições, com o legado da presidência do G20 e as diretrizes do TSE moldando o cenário atual e futuro da tecnologia no país.